26 Fevereiro

Psicologia e coaching… qual a diferença?

Os desafios constantes da vida, os momentos menos bons, as dúvidas fazem-nos questionar que caminho queremos seguir. Nem sempre sentimos entusiasmo, o passado assombra-nos  e/ou perdemos a bússula para delinearmos objetivos bem definidos. Eis que surge a questão: procuro um psicólogo ou um coach? 

 

Podemos começar por distinguir estas suas formas de actuação pelo seu enquadramento: a psicologia é uma ciência e à qual poderemos associar um processo psicoterapêutico, o coaching é um acompanhamento focado nos resultados.

A Psicologia é uma ciência que auxilia o paciente a conhecer-se através da sua própria escuta, compreender-se a si na relação com os outros tendo como objectivo olhar o mundo e as suas relações de uma forma mais saudável. Ao identificar a origem das suas acções e ao compreender internamente a forma como tem reagido a determinadas situações, encontramos uma forma de modificá-las. No início de cada intervenção o Psicólogo poderá realizar uma Avaliação Psicológica – método cientifico de diagnóstico diferencial do funcionamento mental – procurando compreender os sintomas ou queixas da criança/adolescente/adulto, estudando os diferentes contextos nos quais o paciente se movimenta, a sua dinâmica familiar e relacional e quais as características do seu desenvolvimento emocional e cognitivo. A Psicoterapia, processo psicoterapêutico que implica uma formação diferenciada, surge como a possibilidade de criar um espaço potencial de evolução – compreender-se enquanto pessoa, com as suas capacidades, dificuldades e a forma como se pensa a si e aos outros. A Psicologia também poderá auxiliar perante quadros de ansiedade, depressão, fobias, hiperactividade, dor crónica, entre outros problemas do foro psiquiátrico. Nestes casos a articulação com os profissionais da área da medicina ou da educação (no caso de crianças) é essencial. Num local seguro, assente nos pilares da aceitação, compreensão e sem julgamentos ou criticas, o paciente procura encontrar um novo rumo para a sua vida, aceitando o seu passado e perspectivando um futuro mais tranquilo e prazeroso.

Segundo a Internation Coach Federation (ICF) o “Coaching é constituir uma parceria com clientes num processo estimulante e criativo que os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional.”

O coaching é um processo de co-contrução em que o coach domina as ferramentas e metodologia e o coachee o conteúdo (igual posição). A agenda das sessões e objectivos são sempre delineados pelo cliente. O coach profissional não julga nem influencia os caminhos e soluções a percorrer. A base do processo de coaching é o alcance de objectivos, apoiar o cliente a ir do ponto A ao ponto B. Os objectivos podem focar-se em diversas áreas, entre elas: pessoal, profissional, familiar, financeira, saúde e bem-estar, entre outras.

Enquanto coach profissional trabalho com uma equipa multidisciplinar: psicólogos e psicoterapeutas, hipnoterapeutas clínicos, facilitadores de parentalidade consciente e terapeutas complementares.

O que o coaching não é:

Mentoring (posição alta) – Este acompanhamento pressupõe que o mentor é expert no tema e partilha com o mentee o caminho e estratégias que ele próprio usou.

Consultoria (posição alta) – O consultor deve, a partir de um diagnóstico, apresentar soluções e estratégias para alcançar o objectivo proposto ou colmatar as necessidades sentidas.

Formação (posição alta) – O formador deve possuir conhecimento na área a tratar e transmitir ao seu formando.

Psicologia (posição alta) – Compreensão da pessoa de uma forma plena, aceitando o seu passado, compreendendo o seu presente, projectando o futuro

Sempre que um cliente necessita dos dois serviços em conjunto, psicologia e coaching, recomenda-se que estes deverão ser realizados por profissionais diferentes para que não haja uma sobreposição de papéis, que tenham conhecimento da realização dos dois serviços em simultâneo sendo este ponto essencial para garantir que ambos os processos decorram de forma ética e garantir o sucesso dos mesmos.

Podemos concluir que apesar de diferentes, estes serviços complementam-se com a missão de contribuir de forma estruturada e mais eficaz para o bem-estar, realização e plenitude das pessoas com quem trabalhamos.